Para ti…

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Para ti…
De que somos feitos? O que nos fizeram? Não devia ser assim? Dói. Não entendo porque foste. Espera. Sorri. Sê forte. Resiste. Não é a tua hora. Espera. Não me faças isso. Mulher de negro. Destemida. Mulher de luta. Trabalho árduo. Espera. Não me faças isso. O cansaço chegou. O sangue escoou. A mente parou. Ai que dói tanto. Espera. Não me faças isso. Coração de aço, partido. Não aguento mais. Rio de choro invisível. Será que faz sentido? Espera. Não me faças isso. Flashes de uma vida. Lembrar-me de ti desde que nasci. Lembrar-me de nós. Obrigado. Ai que dói tanto. Espera. Não me faças isso. Mãos do tempo. Rugas de tanto trabalho. Telefone não toques. Não quero essa notícia. Ainda não é o tempo. Não devia ser. “Eu quero é viver”. Disseste tanto. Mas os teus olhos já não eram os meus. Mesmo com a última gargalhada que me deste. Ai que dói tanto. Espera. Não me faças isso. Está quase. Estava quase. Mas é melhor. Dói aceitar isso. Não dá mais. O coração desistiu. Foi pequeno para a grande mulher que foste. Vai. Faz-me esse favor. Descansa agora. Nunca te esquecerei. Ai que dói tanto. Mas foi melhor.
Do teu querido neto,
Pedro Lucas
(Desculpem este desabafo, mas precisei de deixar escrito o aperto que senti na última noite ao lado da minha avó. Reflete o amor incondicional a uma das mulheres que mais ajudou a definir o ser humano que hoje sou)
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